
Alexandra Lencastre, Detentora de um currículo invejável em teatro, com inúmeras peças levadas a cena, tornou-se uma presença habitual junto do público português. É considerada uma das mulheres portuguesas mais sensuais mas recusa o rótulo de sex symbol.
Com a novela “Tempo de Viver”, Alexandra Lencastre consegue arranjar algum tempo livre, uma vez que pelo menos o fim-de-semana é sinónimo de descanso. Mas isso vai mudar em breve. “Se a personagem começar a evoluir como está pensado, vai apertar um bocadinho”, conta a actriz, referindo-se ao percurso que a sua personagem, Fátima, vai viver na trama. Se a vilã Luiza Albuquerque “vivia imensos momentos dramáticos” e teve um desfecho cruel, a sofrida Fátima vai ver a vida sorrir.
Uma vez em liberdade condicional e a trabalhar num supermercado, a filha, Maria Laurinda (Margarida Vila-Nova), planeia um desfalque na caixa do estabelecimento que incrimina a mãe. Ela volta então para a cadeia e a jovem está livre para todas as suas tramóias.
A injustiça faz com que Fátima cumpra o seu tempo de prisão, mas isso só lhe vai dar mais força para lutar. Assim, ao ser libertada, arregaça as mangas e abre uma empresa de limpezas. Começa como um negócio modesto, mas rapidamente atinge o sucesso e faz a ex-presidiária enriquecer.
Enquanto interpretava a pérfida vilã de “Ninguém Como Tu”, Alexandra Lencastre não tinha tempo para nada. “Com a Luiza Albuquerque chegava a ter 200 páginas de texto por semana e agora gravo metade”, conta, referindo-se à nova novela da TVI. Enquanto pode, a actriz passa o tempo com as filhas, já que os namoros não estão nos planos.
Mais seis quilos
Para interpretar o papel de Fátima Almeida, Alexandra Lencastre teve de
aumentar de peso. “Engordei seis quilos, o que para a minha altura é
muito. Sinto-me gorda! Agora não me deixam emagrecer, mas a meio da
novela há uma mudança na vida desta personagem e terei de emagrecer”,
desabafa sorridente. É precisamente quando a personagem fica rica que
se dá a mudança na imagem. Entretanto, vai comendo doces.
TANTA ousadia!
Para a actriz, o facto de ter engordado seis quilos para fazer a novela
são apenas “ossos do ofício”. “É por isso que gostamos de ser actores.
Podemos queixarmo-nos, mas é tão bom poder variar”, garante. Por isso,
Alexandra continua a comparecer em eventos sociais com os decotes
arrojados a que já nos habituou. O pior é que, com o aumento de peso,
certas partes do corpo nem sempre cabem nos vestidos... mas isso não
parece ser grande problema para a bela Alexandra!
Presente na noite de estreia do amigo Ricardo Carriço como encenador, com a peça "Menina Cascais a Cascais Menino", Alexandra Lencastre recordou com saudade os tempos em que também ela pisava os palcos, um regresso que planeia para daqui a dois anos. A actriz da nova novela Tempo de Viver abriu ainda o seu coração e contou como está a gerir a separação, que conta já dois meses, do fotógrafo António Gamito, com quem ficou, evidentemente, muito magoada.
– O que achou da estreia do Ricardo Carriço como encenador?
Alexandra Lencastre – A peça tem momentos muito profissionais, apesar
de os actores serem amadores. Além de outros momentos que são da
responsabilidade do Ricardo, de grande criatividade, de humor e de
drama, que estão muito bem conseguidos. Achei fantástico o trabalho que
todos fizeram.
– Tem saudades de fazer teatro?
– Tenho imensas saudades. Já não o faço há oito anos, mas fiz mais de
30 peças durante 15 anos. Neste momento estamos a passar por um período
complicado em termos de ficção nacional, que se centra essencialmente
nas novelas. Em relação ao cinema, as verbas contemplaram três ou
quatro pessoas, por isso há actores a mais para os filmes que se fazem.
Depois, há o teatro, que é o local por excelência onde os actores devem
estar, mas onde eu, por opção, não tenho estado. Não consigo conciliar
televisão e teatro. No teatro a entrega é total e absoluta. E eu não
acho justo, neste momento, sujeitar as minhas filhas a mais esse
esforço.
– Pretende, então, continuar ligada só à televisão?
– Não, talvez daqui a dois anos aceite fazer teatro. Mas quero planear
tudo com calma. Tenho recebido propostas muito boas. Peças que perdi,
mas depois fui assistir às respectivas representações e fiquei muito
contente. A Memória da Água, por exemplo, com encenação de José
Martins, na Casa do Artista. Ou para o Teatro Nacional, com o Carlos
Avilez. Estas propostas dão-me alento.
– Com o ritmo intenso das gravações da novela e duas filhas ainda
pequenas, consegue arranjar tempo para namorar? Imagina-se a refazer
emocionalmente a sua vida em breve?
– Eu penso voltar a namorar, mas neste momento estou bem como estou.
Com a minha idade, com filhas e com um passado, que ainda por cima é um
passado público, não é nada fácil lidar com tudo isto. Este período de
‘luto’, este afastamento, é muito importante para que eu me consiga
encontrar e encontrar a serenidade.
– O António Gamito lamentou recentemente não conseguir ver as suas filhas...
– Ele é uma pessoa que, infelizmente e com muita pena minha, me
desapontou. Eu sou a mãe das minhas filhas e, juntamente com o pai
delas, chegámos à conclusão de que certas pessoas não podem, por uma
questão de maneira de estar na vida e de objectivos, fazer parte da
vida delas. Simplesmente porque não são bons exemplos.
– Mas as suas filhas sentem saudades dele?
– Não, as crianças têm uma capacidade fantástica de esquecer o que não
interessa... O que aconteceu foi, antes, uma grande lição para os
crescidos.
– Está desapontada com os homens?
– Não, estou desapontada com alguns em particular.
– O trabalho ajuda-a a esquecer? Está a gostar da personagem que faz em "Tempo de Viver"?
– Sim, é uma personagem forte, de alicerce em relação aos outros
personagens. E é muito aliciante os actores poderem viver muitas vidas
numa só. Essa transformação é um presente para nós.
– Teve reacções negativas por parte do público quando encarnou a vilã Luísa em "Ninguém como Tu"?
– Nunca, porque nunca deixei que ela caísse numa caricatura, que fosse
um monstro. As pessoas acabaram por sentir até alguma simpatia por ela.
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